
O Guia Michelin, que há mais de 120 anos avalia restaurantes com estrelas, passou a atribuir chaves para os melhores hotéis em 2024. Agora, a publicação francesa terá uma nova classificação para vinhedos: uma, duas ou três uvas.
Os produtores “verdadeiramente excecionais” serão reconhecidos com três uvas. Independentemente da colheita, os consumidores poderão confiar plenamente em seus vinhos, de acordo com o comunicado.
Os produtores considerados excelentes, que se sobressaem em sua região, tanto pela qualidade quanto pela consistência de seus vinhos, receberão duas uvas.
Já os produtores de destaque, “que criam vinhos com caráter e estilo, especialmente nas melhores safras”, serão classificados com uma uva.
Haverá também uma lista de recomendações, com produtores selecionados para avaliação periódica.
5 critérios
O Guia Michelin promete aplicar cinco critérios em sua nova distrinção:
– qualidade da agricultura: os inspetores avaliam fatores como a vitalidade do solo, o equilíbrio da vinha e a gestão do cultivo;
– domínio técnico: práticas de vinificação precisas e rigorosas, que produzam vinhos que reflitam o terroir e a casta, sem qualquer defeito incômodo;
– identidade: o guia destacará viticultores que elaboram vinhos com uma forte identidade, expressando o terroir, a personalidade do produtor e a cultura;
– equilíbrio: avaliação da harmonia entre componentes como acidez, taninos, carvalho, álcool e doçura;
– consistência: as vinícolas serão avaliadas em várias safras e serão selecionadas aquelas que oferecerem qualidade constante, mesmo nos anos mais difíceis.
Os especialistas
As futuras seleções terão como base a experiência de inspetores dedicados ao universo do vinho, todos contratados pelo grupo Michelin. “São profissionais com um percurso sólido no setor — antigos sommeliers, críticos ou especialistas em produção — que possuem um conhecimento concreto e profundo do mundo vitivinícola”, afirma o guia. As avaliações ainda passarão por processo de revisão e supervisão editorial.
O projeto terá início em 2026, em duas das mais emblemáticas regiões do panorama vitivinícola mundial: Borgonha e Bordeaux.
Ao longo dos séculos, Bordeaux se consolidou como uma potência no mundo do vinho, ultrapassando as fronteiras da França, tanto pelas tradições que preserva como pela capacidade de inovar.
A Borgonha, por sua vez, se destaca por uma abordagem enraizada no patrimônio local, com vinhas familiares que refletem o legado transmitido de geração em geração.






